
REFLEXÕES SOBRE TECNOLOGIA
Carla e Maria Tereza
Nossa prática pedagógica é rica em relações humanas, porém existe uma resistência quanto ao uso da tecnologia como recurso pedagógico.
Na sua prática pedagógica o professor desenvolve conteúdos utilizando uma determinada metodologia, as quais aprendeu nos cursos de formação e a aperfeiçoou no decorrer dos anos de prática com os alunos. Procura-se desempenhar o trabalho em função das necessidades dos educandos e da realidade onde estão inseridos.
Esta necessidade é o que traz, cada vez mais, professores em busca de aperfeiçoamento na área da informática, porque enquanto o aluno não tem receio do computador, o professor tem relações bastante conflituosas com a informática, usando todo o tipo de desculpas para não utilizar esta tecnologia.
Segundo Moran, ensinar não é só falar, mas comunicar-se com credibilidade.
É falar de algo que conhecemos intelectual e vivencialmente e que, pela interação autêntica, contribua para que todos nós avancemos no grau de compreensão do que existe.
Ensinaremos melhor se mantivermos uma atitude inquieta, humilde e confiante com a vida, com os outros e conosco,tentando sempre aprender, comunicar e praticar o que percebemos até onde nos for possível a cada momento.
Uma mudança qualitativa no processo ensino-aprendizagem acontece quando conseguimos integrar dentro de uma visão inovadora toda a tecnologia, o que é muito difícil para o professor resistente a essa tecnologia.
Cada docente pode encontrar sua forma mais adequada de integrar várias tecnologias e procedimentos metodológicos. Mas também é importante que amplie, que aprenda a dominar as formas de comunicação interpessoal e grupal e as de comunicação audiovisual e temática.
Com a internet podemos modificar mais facilmente a forma de ensinar e aprender tanto nos cursos presenciais como nos a distância. São muitos os caminhos, que dependerão da situação em que o professor se encontra: do número de alunos, tecnologias disponíveis, duração das aulas, quantidade total
de aulas que o professor dá por semana e apoio institucional.
Colocamos tecnologia nas escolas, mas, em geral para continuar fazendo o de sempre, o professor falando e o aluno ouvindo, com um verniz de modernidade.As tecnologias são utilizadas mais para ilustrar o conteúdo do professor do que para criar novos desafios didáticos.
O computador trouxe uma série de novidades, de fazer mais rápido e mais fácil. Mas durante anos o computador continuou sendo utilizado como uma ferramenta de apoio ao professor e ao aluno. As atividades principais estão focadasna fala do professor e na relação com os textos escritos.
Hoje com a internet e a evolução tecnológica, podemos aprender de muitas formas e em lugares diferentes.
Ensinar e aprender estão sendo desafiados como nunca antes. Há informações demais, multiplas fontes, visões diferentes de mundo. Educar hoje é complexo porque a sociedade também é mais complexa e também o são as competências necessárias. As tecnologias estão começam a a estar um pouco mais ao alcance do estudante e do professor. Precisamos repensar todo o processo, reaprender a ensinar, a estar com os alunos, a orientar atividades, a definir o que vale a pena fazer para aprender.
Com a internet e outras tecnologias surgem novas possibilidades de organização das aulas dentro e fora das escolas. Podemos ter parte das aulas de forma virtual ou freqüêntar cursos à distância.
Vimos em mídias na educação que ela não tem sido alheia aos movimentos de mudanças, ao desenvolvimento científico-tecnológico nem aos movimentos sociais, políticos e econômicos em curso na nova sociedade.
Todas as escolas tem algum recurso tecnológico mesmo que não sejam incorporados ao ensino e aprendizagem.
Criar espaços para o uso de tecnologias e novas linguagens de comunicação ajuda os alunos a trazerem a sua realidade cotidiana para a aula, assim como despertar interesse e desenvolver projetos.
Para usar as mídias é preciso saber os objetivos e as características nela disponíveis.
A internet possibilita a ampliação e a rapidez no acesso à informação.
Existem sites de busca, notícias, entretenimento de educação que criam condições aos alunos de ler o mundo, digitar e se inserir na sociedade da informação e da comunicação.
O acesso à informação permite a incorporação de novos ambientes de aprendizagem na escola, rompendo com as limitações das grades curriculares e fazendo da escola um espaço de produção do conhecimento articulado com outros espaços que também trabalham com o conhecimento.
Temos que reaprender a ensinar e a aprender. O professor tem que modificar o que faz dentro da sala de aula e organizar ações de pesquisa e comunicação, porque as tecnologias (telemáticas, audiovisuais, textuais, orais, musicais, lúdicas e corporais) permitem ampliar o conceito de aula, o espaço e o tempo.
A rede tecnológica não garante mudanças na educação, ela propicia novas formas de lidar com a informação, de produzir conhecimentos, de estabelecer comunicação, permitindo conecções entre pessoas, idéias, conceitos, crenças e valores.
Existem dez novas competências para ensinar, entre elas o professor deve organizar e dirigir situações de aprendizagem, envolver os alunos em suas aprendizagens e seu trabalho, trabalhar em equipe, informar e envolver os pais e utilizar novas tecnologias.
Atualmente as tecnologias são usadas mais para ilustrar conteúdo do professor do que para criar novos desafios didáticos, as aulas são orais e escritas com pitadas de audiovisual.
As instituições de ensino precisam voltar seu olhar para dentro de seus muros e repensar, reorganizar e reposicionar sua própria estrutura e seu currículo.
É preciso discutir novos currículos e práticas educacionais porque as tecnologias são apenas apoios e meios, elas nos permitem realizar atividades de aprendizagem de formas diferentes. As aulas devem ser diferentes porque a rotina, repetição e a previsibilidade são letais para a aprendizagem e não motiva os alunos.
Precisamos conversar, planejar e executar ações pedagógicas inovadoras, com cautela mas firmes e sinalizando mudanças.